Este blog começa numa madrugada de clima agradabilíssimo ao som de Richard Wagner, o bom Wagner (que suíças! que suíças!), que deu ao mundo esse portento sonoro que é Tristão e Isolda – ouço aqui a gravação em Bayreuth, 1974, com Carlos Kleiber, que tem, segundo a melhor crítica, uma das mais bem-sucedidas flutuações de andamento, na tradução, desce macio e reanima. A idéia aqui é meter o bedelho, olhos e dedos (ops!) tanto no noticiário sobre literatura quanto nos livros lançados, que, claro, vou selecionar para comentá-los. O importante: a proposta é comentar literatura e meio literário com um enfoque político-cultural, provocando o debate sem encerrar o assunto nos porões da teoria literária, que chamo pelas costas de dança de salão – se dá bem quem roda mais. Sthendal, esse moço francês, sapecou no Vermelho e o Negro, que adoro, o axioma: “a política (…) é uma pedra que, amarrada ao pescoço da literatura, em menos de seis meses a faz submergir”. Não vou amarrar nada a lugar algum, logo…
Será, ou se pretenderá, ser um blog crítico, mas nada de crítica literária, resenha e demais vulgaridades. Vou chamar os comentários de pequenos ensaios. Fica bonito e evita que gente do sindicato venha me cobrar contribuição por exercer o ofício de crítico. Nem se pretende que esta birosca perfumada e arrumadinha seja um observatório de coisa alguma tentando criar regras babaquaras. Informação e provocação é uma dupla boa, que estará de mãos dadas.
Claro que, por natureza, estamos mais prontos a criticar os erros do que a elogiar as coisas bem feitas, Baldassare Castiglione já alertava na sua Itália no século XVI, quando seu “O cortesão” foi lançando com a modesta proposta (alô Swift!) de definir um modelo de homem ideal daquela época, enfim, algo comezinho como criar um novo padrão de aristocrata para a corte que respirava novos ares com as mesmas roupas fedidas. Voltando à vaca fria, cool cow, criticar erros e elogiar coisas bem feitas, é isso, e lá vou eu, lépido e fagueiro, ôbá-ôbá, meu pai (sai!, sai!, caboclo Sete Livros!, sai! sai!, ô, minha carteirinha, filho da mãe!).
Os textos são os textos são os textos, e estamos conversados. Mas aqui você verá mais, afinal, nossos japoneses são melhores. Inicialmente, uma vez por mês, uma entrevista supimpa em áudio. Já fiz uma listinha dos entrevistados, mas quero sugestões, que podem ser inseridas no espaço de comentários ou enviadas por e-mail (bgarschagen@gmail.com). A entrevista será mais, digamos, vibrante do que o que se costuma ver por aí. Não haverá condescendência com o entrevistado, nem do dito com o entrevistador, no caso, eu mesmo, prazer, Bruno Garschagen (o “sch” tem som de “x” e a última parte pronuncia-se “váguen”, como Volkswagen). As conversas não vão se limitar a escritores. Mais informações no decorrer do programa, digo, do blog.
É isso, vamos trabalhar que atrás vem gente, e isso não pega bem um dia após a Parada Gay. Ui!
Agora, durmo, logo (mais) penso.
Grande Bruno,
legal seu novo site, acho que estou tendo a honra de deixar o primeiro comentário.
Não sei porque a des-wunderblogização, mas se isso significar uma postagem mais frequente, tá valendo.
Keep posting!
Caro Chico, obrigado pela leitura. Mas não há uma des-wunderblogização, o caso é que eu não queria acabar com Vertigem e pensava em ter um blog com outro enfoque. Espero que você volte sempre. Abração.