A civilização reside na existência de indivíduos como Miguel Esteves Cardoso

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Fiquei imensamente feliz com o feedback do post Miguel Esteves Cardoso, um homem civilizado no qual inseri uma entrevista que ele concedeu ao excelente historiador e professor Rui Ramos, autor do precioso livro Outra opinião. Ensaios de história, sobre Portugal. Além dos comentários e e-mails que recebi vários blogues portugueses reproduziram o vídeo ou linkaram para este blogue.

Uma das preocupações que tenho é apresentar os indivíduos e obras que admiro. Fazia isso com os brasileiros, numa tentativa de expor aqui um recorte do país que me interessa. Desde outubro do ano passado tenho feito o mesmo com Portugal. Miguel Esteves Cardoso é uma admiração antiga. Lembro de um amigo comentar no Rio, há uns bons anos, sobre um escritor português cujo livro ostentava glorioso na capa o título O amor é fodido. Pensei: nenhum escritor medíocre ou mediano ia correr o risco de batizar um livro com esse nome. Então, deve ser bom. O livro é ótimo!

Logo depois, consegui no sebo do Catete, perto da casa onde eu morava no Flamengo (ambos bairros vizinhos do Rio de Janeiro), o excepcional A causa das coisas. Quem ainda não conhece esse livro faça o que tiver que fazer para obtê-lo.

Eu só fui começar a descobrir a dimensão do MEC em Portugal, o que esse monumento intelectual representava para o país, numa conversa com o João Pereira Coutinho. E nesse quase um ano aqui em Lisboa fui verificando com prazer renovado o prestígio desse homem sobre o qual nunca ouvi uma palavra sequer que o desabonasse. Basta eu falar o nome do MEC numa conversa para perceber aquele maravilhamento, aquela quase epifania à menção do nome. Eu não exagerava quando disse no post anterior que o MEC “deixou há tempos de ser um indivíduo para se tornar uma instituição”.

A civilização, meus caros, reside na existência de indivíduos como Miguel Esteves Cardoso.

PS: Quando procurava na internet uma foto do MEC para ilustrar o post encontrei não só uma imagem de um trecho do vídeo do programa “O Portugal de…” como um texto qualificando o escritor e jornalista português de “instituição”. Quando escrevi meu post anterior não havia lido a referência, que fica aqui registrada em deferência ao blogue do Luis Royal. Em dezembro de 2006 Royal se antecipara a escrever esse achado que eu julgava meu. Acontece.

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