Do Novo Ano e da plenitude da vida

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At the Gate of the Year

I said to the man who stood at the gate of the year
‘Give me a light that I may tread safely into the unknown.’

And he replied,
‘Go into the darkness and put your hand into the hand of God
That shall be to you better than light and safer than a known way!’

So I went forth and finding the Hand of God
Trod gladly into the night
He led me towards the hills
And the breaking of day in the lone east.

So heart be still!
What need our human life to know
If God hath comprehension?

In all the dizzy strife of things
Both high and low,
God hideth his intention.”

by Minnie Louise Harkins 1875-1957

Caros amigos e leitores deste blogue,

fim e início de ano são períodos que invariavelmente me conduzem à infância. O Natal com a família e a passagem de ano que inauguravam uma fresca vereda de esperanças. O mais singular dessa volta ao passado é o fato de que fui uma criança que queria ser adulto. Nunca tive vocação para infante, embora tenha gozado de todas as benesses que a condição circunstancial me proporcionava.

O Natal e o réveillon deste ano foram, para usar uma palavra gasta, especial. E, de forma recorrente, um retorno à infância. Minha mulher Michelle e meu filho Bernardo vieram para Lisboa. O inverno em Portugal, encantadoramente mais severo do que o anterior, está sendo desfrutado com o voluptuoso aquecimento que o amor propicia. A vida, sim, agora é plena. A infância que vivi está refletida no rosto do meu filho de 10 anos e no sorriso acolhedor de sua mãe.

A promessa de escrever no dia 31 não foi cumprida, como tantas outras que neste blogue descumpri impunemente. Estava fora de Lisboa aproveitando com a família as últimas horas de 2008. E na busca por uma palavra exata que pudesse compor uma imagem para uma felicidade que estava distante escaparam-me as palavras; sobrou-me uma belíssima imagem.

Lisboa tornou-se minha casa. Nenhum dos lugares onde morei no Brasil me acolheu e confortou como aqui. A gentileza com que fui tratado pelos professores e colegas na universidade; pelos colaboradores da saudosa revista Atlântico; pelos membros do blogue O Insurgente; e por vários outros portugueses que me receberam com uma grandiosa generosidade, assim como os turcos da Associação de Amizade Luso-Turca. Conhecer Istambul foi uma das maravilhas que me foi concedida morando em Portugal.

O ano também foi gratificante nas áreas acadêmica e profissional.

No mestrado, encerrei um ciclo: agora entro na fase da elaboração da tese, que promete converter em brancos os últimos fios pretos do meu cabelo. Tenho o orgulho e a honra de ter como orientador o amigo (e responsável pela minha vinda para Lisboa) João Pereira Coutinho. Ele que no fim do ano passado defendeu uma tese de doutorado sobre a idéia de perfeição na política com base em Oakeshott e Burke.

Na área profissional, depois de anos vivendo como jornalista freelancer, fui contratado pelo OrdemLivre, representante no Brasil do think tank americano Cato Institute, para ser Gerente de Relações Institucionais. De leitor do Cato Journal e dos vários livros publicados pela instituição, que eu admirava devotadamente pela luta intelectual para promover a liberdade no mundo, passei a membro dessa honorável equipe, que na seção brasileira é comandada por Diogo Costa e gerida por Pedro Sette Câmara.

E as razões do meu bem-estar também são os motivos pelos quais este blogue, que já vinha sendo negligenciado, deixa de ser atualizado com a regularidade que eu desejava e durante certo tempo consegui manter.

O trabalho para o OrdemLivre, a dedicação à tese e a vida em família, da qual não abro mão, vão impedir que eu me dedique ao blogue além do que é possível. As seções fixas foram embalsamadas para um dia, quem sabe, serem reativadas. Vou atualizar o blogue ao sabor do pouco tempo e da vontade de compartilhar com vocês, amigos e leitores anônimos, leituras e considerações de assuntos que me empolgam.

Gostaria de ser mais ágil para dar conta de tudo e manter o blogue com atualização diária. Mas será impossível.

Venham aqui de vez em quando me visitar. A conversa e o uísque estarão sempre disponíveis.

2009 começou excelente. Já está sendo, de fato, um grande ano. Desejo o mesmo a cada um de vocês. Não desanimem com os entraves que às vezes nos golpeiam como adagas traidoras. Sigam a recomendação de Blake: a maldição move, a bênção relaxa.

Abraços fraternos da família Mucelini-Garschagen


6 Respostas para “Do Novo Ano e da plenitude da vida”


  1. 1 Carlos Eduardo Janeiro 19, 2009 às 11:31 pm

    Garschagen,

    Poucas vezes fiquei tão feliz em ler um texto seu quanto agora. Sinto cada vez mais respeito e admiração por você. Parabéns por tudo!

  2. 2 Renato Lima Janeiro 20, 2009 às 11:11 am

    Parabéns cara! Muito bonito a família unida. Aproveite bastante por aí. Do seu amigo do Recife. :)

  3. 3 ronalt Janeiro 20, 2009 às 5:58 pm

    Que feliz e bonita família! Caro Bruno, que Deus o ilumine nesse seu grande momento acadêmico. Seus leitores sempre estarão com você.

    Abraços!

  4. 4 Carla Janeiro 21, 2009 às 6:45 pm

    Que ótimas notícias, Bruno, e que bela família!
    Muito bom voltar a lê-lo. :-)

  5. 5 luis afonso Fevereiro 4, 2009 às 10:11 pm

    Bruno:

    Espero que não tenha esquecido deste amigo aqui, na distante Porto..

    Um ano bom de 2009 para ti e para a tua família (é bom ter uma!!!)
    E parabéns pelo sucesso.
    Quando der um tempo, e vires até o Porto, mostro-te a cidade.

    Abraços,

    LA

  6. 6 Mariana Garschagen Dantas Fevereiro 8, 2009 às 7:17 pm

    Voltarei mais vezes… hehehe
    Adorei a frase na última linha: “a maldição move, a bênção relaxa.”
    Vou levar comigo. :)

    Beijos primo!

    Ps. Seu filhote é lindo!


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