Arquivo para Maio, 2009

Tem mais, mas acabou

Eu queria mesmo era falar sobre as coisas boas do Brasil. E de como é bom ver tudo pela TV. Mas meu tempo, por hoje, acabou.

Arrivederci.

Brasil, meu Brasil brasileiro

Duas personagens históricas abriram o Brasil ao mundo: em 1808, D. João VI abriu os portos do país; em 1990, Fernando Collor de Melo, fez a segunda abertura dos portos.

Resultados?

D. João VI, cujo filho, D. Pedro I, declarou a independência do país, só reconheceu a independência após um tratado de reconhecimento no qual o Brasil assumia dívidas de Portugal (coisa pouca: 2 milhões e meio de libras esterlinas).

Collor, o primeiro presidente eleito por voto direto (em 1989) após o governo militar inaugurado em 1964, foi chutado da presidência num processo de impeachment por denúncias de corrupção e tráfico de influência.

Saudosista uma ova, ou como os contrabandistas faziam o brasileiro feliz

Saudosismo é doença. Não sou saudosista. Sempre tendo a achar que vivo melhor agora do que antes. De facto, vivo melhor agora do que antes. Jorge Luís Borges estava certo: era um conservador na medida em que queria conservar as coisas boas e descartar as ruins. O Rio poderia ter conservado as coisas boas. Mas nem todas as coisas boas resistem ao tempo. São perecíveis como o leite. Não voltaria no tempo, se pudesse. Queria o Rio pulsante, mas como está agora: sem falta de água, sem falta de energia elétrica, com telefones funcionando e uísque de boa origem a preço razoável.

Nos anos de 1950, um tio meu tinha que esperar duas horas para que a central telefônica pudesse completar uma ligação para Cachoeiro de Itapemirim, cidadezinha no sul do estado do Espírito Santo. E para conseguir uísque, Deus do céu, o sujeito tinha que ter um contrabandista pessoal e gastar uma fortuna. Até o início de 1990 o brasileiro que gostava de uísque tinha que ter um contrabandista de confiança.

Uma cidade não é só uma cidade

Quando uma cidade é a capital federal a política faz parte do organismo social. Como respirar. Como beber um uísque. Como dar um beijo. Como dizer olá. Não é um corpo estranho, um ente abstrato e inimigo. A importância da política tinha a devida dimensão. As pessoas discutiam, se importavam. Principalmente, se importavam. Não é necessário ser politizado ou ter a política como um assunto regular para dar ao assunto a importância que deve ter. Em Brasília, a política é um apêndice, um órgão inflamado à espera de uma cirurgia. Em Lisboa, pude ver como o Rio era.

O Rio que já existiu

Até a mudança da capital do Brasil para Brasília, aquele nada no meio do nada, o Rio de Janeiro era a capital política, econômica, cultural. O Rio começou a morrer gradualmente no início de 1960, com a inauguração da nova capital federal. Os últimos suspiros foram dados no final dos anos de 1970. Mas não é da decadência que eu queria falar. É do Rio que ainda se sustenta na memória de todos, inclusive daqueles que nunca a conheceram no auge (como eu). É o Rio formado por gente de vários estados brasileiros que migravam em busca do Santo Graal, que se espalhava pelos corredores do poder, pelos restaurantes, pelos bares, pelos cinemas, pelos teatros, pelas calçadas. É o Rio que vibrava, estimulava, mesmo com a falta de água regular.

Minha cidade, sim sinhôra

Lisboa. Lisboa. E eu que vim em 2007 completamente desinteressado pelo país. Só queria fazer o mestrado em Ciência Política e Relações e Internacionais e cair fora. Mas fui tomado de amores. Como um adolescente. É piegas ser tomado de um amor adolescente? Se for por uma cidade, não. Pode ser patético; piegas, nunca. E o pior aconteceu: fui ao Brasil no início de abril. A trabalho. Desembarquei no Rio de Janeiro, cidade onde eu morava antes de vir, e fui tomado de uma angústia honesta como as sombras das raparigas em flor. Sóbrio que nem um bispo, cansado que nem um mouro, o que eu queria mesmo era pegar o avião de volta. Lá estava eu: saudade aguda numa terra devastada.

Lisboa deixou de ser uma mera cidade. Tornou-se a minha cidade.

A volta, a volta

Voltei para o bunker, que não é Pasárgada nem Canossa. Muita coisa se passou desde o fim do ano, quando o blogue virou um cadáver virtual e insepulto.

Estou de volta e não faço idéia de com qual regularidade e se mantenho o português pré-acordo ortográfico, o que me agrada, ou me atualizo, o que me desagrada (e me obrigaria a grafar a palavra ideia sem o acento agudo).

E vocês, meus caros, portaram-se bem na minha ausência?

E o blogue, volta ou não volta?

Caros, obrigado pelas visitas, comentários e e-mails gentis perguntando sobre o blogue.

Estou de volta na próxima segunda.

Abraços e bom fim de semana.
Bruno Garschagen


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