Caros, obrigado pelas visitas, comentários e e-mails gentis perguntando sobre o blogue.
Estou de volta na próxima segunda.
Abraços e bom fim de semana.
Bruno Garschagen
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Caros, obrigado pelas visitas, comentários e e-mails gentis perguntando sobre o blogue.
Estou de volta na próxima segunda.
Abraços e bom fim de semana.
Bruno Garschagen
Sim, meus caros, ainda estou vivo. Cuidando da vida profissional e acadêmica etc e tal, vocês sabem. Ainda em Lisboa, claro, esta primavera de clima civilizado depois de duas semanas de um calor horrendo no Brasil. Estive aí a trabalho.
Bom, o fato é que este blogue vai voltar. Em maio. Sim. Maio. O dia? Logo aviso. Novidades? Sim, sim. Mas é surpresa. Surpresa não se conta. Isso mesmo, não se conta. Não insistam que eu sou, digamos, suscetível.
Voltando à vaca fria, e vocês, o que têm feito?
Enquanto não retorno, portem-se bem, ok?
At the Gate of the Year
I said to the man who stood at the gate of the year
‘Give me a light that I may tread safely into the unknown.’And he replied,
‘Go into the darkness and put your hand into the hand of God
That shall be to you better than light and safer than a known way!’So I went forth and finding the Hand of God
Trod gladly into the night
He led me towards the hills
And the breaking of day in the lone east.So heart be still!
What need our human life to know
If God hath comprehension?In all the dizzy strife of things
Both high and low,
God hideth his intention.”by Minnie Louise Harkins 1875-1957
Caros amigos e leitores deste blogue,
fim e início de ano são períodos que invariavelmente me conduzem à infância. O Natal com a família e a passagem de ano que inauguravam uma fresca vereda de esperanças. O mais singular dessa volta ao passado é o fato de que fui uma criança que queria ser adulto. Nunca tive vocação para infante, embora tenha gozado de todas as benesses que a condição circunstancial me proporcionava.
O Natal e o réveillon deste ano foram, para usar uma palavra gasta, especial. E, de forma recorrente, um retorno à infância. Minha mulher Michelle e meu filho Bernardo vieram para Lisboa. O inverno em Portugal, encantadoramente mais severo do que o anterior, está sendo desfrutado com o voluptuoso aquecimento que o amor propicia. A vida, sim, agora é plena. A infância que vivi está refletida no rosto do meu filho de 10 anos e no sorriso acolhedor de sua mãe.
A promessa de escrever no dia 31 não foi cumprida, como tantas outras que neste blogue descumpri impunemente. Estava fora de Lisboa aproveitando com a família as últimas horas de 2008. E na busca por uma palavra exata que pudesse compor uma imagem para uma felicidade que estava distante escaparam-me as palavras; sobrou-me uma belíssima imagem.
Lisboa tornou-se minha casa. Nenhum dos lugares onde morei no Brasil me acolheu e confortou como aqui. A gentileza com que fui tratado pelos professores e colegas na universidade; pelos colaboradores da saudosa revista Atlântico; pelos membros do blogue O Insurgente; e por vários outros portugueses que me receberam com uma grandiosa generosidade, assim como os turcos da Associação de Amizade Luso-Turca. Conhecer Istambul foi uma das maravilhas que me foi concedida morando em Portugal.
O ano também foi gratificante nas áreas acadêmica e profissional.
No mestrado, encerrei um ciclo: agora entro na fase da elaboração da tese, que promete converter em brancos os últimos fios pretos do meu cabelo. Tenho o orgulho e a honra de ter como orientador o amigo (e responsável pela minha vinda para Lisboa) João Pereira Coutinho. Ele que no fim do ano passado defendeu uma tese de doutorado sobre a idéia de perfeição na política com base em Oakeshott e Burke.
Na área profissional, depois de anos vivendo como jornalista freelancer, fui contratado pelo OrdemLivre, representante no Brasil do think tank americano Cato Institute, para ser Gerente de Relações Institucionais. De leitor do Cato Journal e dos vários livros publicados pela instituição, que eu admirava devotadamente pela luta intelectual para promover a liberdade no mundo, passei a membro dessa honorável equipe, que na seção brasileira é comandada por Diogo Costa e gerida por Pedro Sette Câmara.
E as razões do meu bem-estar também são os motivos pelos quais este blogue, que já vinha sendo negligenciado, deixa de ser atualizado com a regularidade que eu desejava e durante certo tempo consegui manter.
O trabalho para o OrdemLivre, a dedicação à tese e a vida em família, da qual não abro mão, vão impedir que eu me dedique ao blogue além do que é possível. As seções fixas foram embalsamadas para um dia, quem sabe, serem reativadas. Vou atualizar o blogue ao sabor do pouco tempo e da vontade de compartilhar com vocês, amigos e leitores anônimos, leituras e considerações de assuntos que me empolgam.
Gostaria de ser mais ágil para dar conta de tudo e manter o blogue com atualização diária. Mas será impossível.
Venham aqui de vez em quando me visitar. A conversa e o uísque estarão sempre disponíveis.
2009 começou excelente. Já está sendo, de fato, um grande ano. Desejo o mesmo a cada um de vocês. Não desanimem com os entraves que às vezes nos golpeiam como adagas traidoras. Sigam a recomendação de Blake: a maldição move, a bênção relaxa.
Abraços fraternos da família Mucelini-Garschagen

Caros,
este blogue dá uma parada até o dia 31. Compromissos familiares, profissionais e com o mestrado me impedem de manter o curso normal do blogue. No último dia do ano postarei aqui um texto que é um balanço sobre 2009 e a experiência de morar em Portugal.
Obrigado pelas visitas constantes ou irregulares, pelos comentários gentis, informativos, críticos. Um blogue se faz com essa conversação que procuro estabelecer e estimular.
Um abraço fraterno a cada um de vocês e um Feliz Natal.
Bruno Garschagen
Lisboa, 22 de dezembro de 2008.
Caros, espero nesta madrugada conseguir atualizar as seções fixas de segunda e desta terça. Portem-se bem até minha volta.
Só hoje consegui fazer o post de ontem, o Ex-libris que se lê abaixo. Escrevo aqui para convidar-vos à leitura não só do post, mas da obra de Sertillanges. Enquanto isso, vou aqui escrevendo o Blogues em debate que entra no ar logo mais. Até.
Vou ver se à noite consigo atualizar o blogue com as seções fixas de segunda até hoje. Muitos compromissos impediram o curso normal da atualização. Enquanto isso, dêem uma passada no site do OrdemLivre para, quem ainda não o fez e estiver interessado, ler meu texto Liberdade, liberdade.

Man in a string chair, de Lucien Freud
“O que mais temo não é a velhice, mas a degradação do corpo”. A frase não foi dita exatamente como vocês a lêem. O sentido era esse, de fato. Doze anos depois de tê-la escutado de um professor de história da pequena cidade brasileira de Cachoeiro de Itapemirim, corria o ano de 1996, venho reescrevendo-a. As versões da frase revelam o amadurecimento do espírito. Uso “amadurecimento” em vez de mudança. O que há, no mais das vezes, é o burilamento de sentimentos e idéias. Burilar é, também, conjecturar, refutar, descartar.
A frase que abre o texto teve o impacto do momento. Era o impacto no ouvido diante de uma grande frase. Aos 20 anos, o jovem não se amola com os inevitáveis infortúnios do corpo. O jovem é uma rocha física e uma besta mental. Mesmo o jovem que aos 20 já tinha 82.
Então, o presente vai se despedindo com esnobe reverência. O passado senta-se à mesa e consagra seu domínio com um gole generoso no uísque fresco. A gradual perda de agilidade do corpo é consoladamente compensada pelo desembaraço das emoções e do intelecto. Uma parte do corpo vai morrendo por falta de uso (coluna, músculos, pernas, abdômen). A outra desabrocha sem rédeas (cérebro, braços e ombros). As escolhas definem o indivíduo. As escolhas deixam um legado ou, tão-somente, uma lembrança.
Durante alguns anos fiz um esforço monumental para lapidar uma forma prazerosa de solidão. Mesmo a facilidade da disposição natural que trago nos genes não atenuou a violência da decisão, para um adolescente, de que o melhor era cultivar um amor sincero por si mesmo, o que implicava em afastamento e silêncio. Só assim consegui passar essa terrível fase da existência humana sem emular comportamentos e pensamentos autodestrutivos. Podia passar horas dedicando-me ao ócio contemplativo. E já estava preparado para enfrentar a maldade e desfrutar da bondade humanas. Aqui jaz uma mente ingênua: a frase do meu convite de formatura em Direito; a antecipação burlesca do meu epitáfio.
Felicidade? Várias. Diversas explosões de euforia que duravam a exata dimensão do acontecimento. Oscilação sempre equilibrada com minha busca permanente pelo bem-estar. Não sou dado a manifestações arrebatadas, súbitas e ruidosas. Acho-as vulgares. A felicidade tem um sabor de agregação àquela ordem imaginária que me faz ser quem sou. A seguir à felicidade, em vez da tristeza entorpecida do retorno ao estado anterior, uma satisfação discreta pelo capital acumulado ao bem-estar. Sem lamúrias, sem lamentações.
Sim, o indivíduo é suas decisões, sua família, seu amor, seus amigos. Dedica a todos um amor incomensurável. Não precisa de palavras, abraços, presentes, notícias, só a certeza do sentimento compartilhado. A negligência física nunca corrompeu o que sinto por cada um daqueles com quem nunca mais falei.
Sou um agraciado. Cercado das pessoas que amo, cumprindo o destino que tracei. Não é pouco, não é muito. É o ideal.
Se o amigo pergunta o que acho do keep walking do tempo, solto de pronto: “O que mais temo não é a velhice, mas a degradação do corpo”.
Nasci com 82 anos. Idade mental. É o que me faz ver o passado como o manancial que serve de bússola para o presente, mais amigo do que o futuro por sua insensata imprevisibilidade.
Mas, divago.
Hoje faço 33 anos. Não é pouco, não é muito. É o ideal.

Reflections, de Lucien Freud
Caros, devido aos compromissos profissionais e com o mestrado decidi fazer algumas mudanças e correções de rumo no blogue. Aquela seqüência de seções fixas será alterada e passa a ficar da seguinte forma:
SEGUNDA-FEIRA: Ex-Libris (dicas de livro, blogue ou publicações, não necessariamente sugestões dos três, como antes);
TERÇA-FEIRA: Blogues em Debate (o que era uma série de posts agora vira uma seção fixa);
QUARTA-FEIRA: Garschagen Metropolitan Museum (além de pintura, passa a abranger fotografias);
QUINTA-FEIRA: Delicatessen (bebidas e acepipes);
SEXTA-FEIRA: Conversação (entrevistas);
As seções Ars Traductoris e !Individual! passam a ser mensais. Serão publicadas, respectivamente, na primeira e segunda terças-feiras de cada mês.
Aos sábados e domingos não mais trabalho.
Caros, ainda não consegui dar conta dos compromissos ao retornar da viagem que fiz a Istambul na semana passada. Espero até quinta-feira colocar a casa em ordem. E a idéia é iniciar uma minissérie de posts sobre a Turquia. Fiquei muito bem impressionado com o que vi e com o que ouvi.
Enquanto isso, se quiserem, podem ver uma parte da minha participação como comentarista do site IOL Portugal Diário na noite da eleição presidencial americana: Eleições EUA: leia a opinião do painel de bloggers.