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12 anos? Uma bela idade para um single malt e o aniversário da morte de Paulo Francis

E lá se vão 12 anos. Paulo Francis, Paulo Francis. Confesso que gosto mais ainda de Francis do que há 12 anos. Quanto mais o leio mais valorizo suas virtudes, mais descubro suas falhas. É do jogo. Uma subtração que, às vezes, valoriza.

Durante um tempo fiquei meio de saco cheio de ler sobre o Francis, de ouvir opiniões sobre ele. Foi logo depois de eu embalsamar o projeto de uma biografia após ter conversado com Sérgio Augusto, Diogo Mainardi, Daniel Piza, Geneton Moraes Neto, Fernando Gasparian, Barbara Heliodora. Um dia conto as duas razões que me fizeram demover da ideia.

Foi só aqui em Portugal que retomei a leitura de seus artigos.

E há dois dias vi o documentário Caro Francis graças à gentileza do jornalista paranaense Breno Baldrati, que, aliás, foi quem me lembrou do aniversário de morte e escreveu aqui.

O filme que vi ainda não é a versão final, que ainda vai entrar em cartaz nos cinemas e depois ser lançado em DVD. Por isso mesmo vou evitar uma crítica detalhada e que pode se revelar prematura.

A primeira impressão do material que vi, porém, foi ruim. Não há sequer entrevistas com dois grandes amigos do Francis: Millôr e Ivan Lessa. Nem um mero depoimento de Barbara Heliodora sobre a fase de crítico de teatro?

E a maior parte das imagens usadas já é totalmente conhecida por quem se interessa pelo jornalista. Até a seqüência de imagens extraídas do Manhattan Connection é a mesma da usada pela produção do programa para o especial Eu, Francis.

O documentário é, além do mais, refém de depoimentos. Não há sequer imagens ou fotos dos lugares onde Francis freqüentou. Nem uma tentativa de mostrar o empolgado e jovial interesse intelectual daquele jovem jornalista que se converteu em celebridade, no melhor sentido do termo.

Vale a pena vê-lo? Sim, mas sem muitas expectativas, como as que eu tinha. Mas, repito: a versão que vi não é a que vai para os cinemas. Duvido que mude grandes coisas, apesar desta minha sincera esperança de que haja muito material interessante a ser apresentado.

Enquanto aqueles que não viram o filme esperam pela exibição nos cinemas deixo aqui alguns links sobre o Francis:

- Relato completo de um encontro com o “Lobo Hidrófobo” e Paulo Francis ressurge em Carne Viva, por Geneton Moraes Neto;

- Paulo Francis, por Ivan Lessa;

- Dá-lhe, sweet prince!, Caro Francis e Paulo Francis, 10 anos depois, por Millôr;

- Paulo Francis e eu, por Diogo Mainardi;

- Paulo Francis – Pugilista de idéias, por Roberto Campos;

- Versões de Paulo Francis, por Moacir Werneck de Castro;

- Meu amigo Paulo Francis, por Lúcia Guimarães (o texto tem algumas boas informações, apesar da autora);

- Tentando imitar Paulo Francis, por Alexandre Soares Silva;

- O mau legado de Paulo Francis, por Paulo Polzonoff;

- Uma vida Ilustrada: Paulo Francis, por André Forastieri;

- Entrevista de Paulo Francis ao Roda Viva em 1994;

- Especial Paulo Francis, por Manhattan Connection;

- Episódio em que Caetano chamou Paulo Francis de “bicha amarga” rendeu polêmica na Ilustrada;

Opinião de quem viu “Caro Francis”

Até que enfim, alguém que viu o filme Caro Francis. O jornalista Breno Badralti, libertário que pilota o bom blogue Hotel Terra, nos diz:

Assisti ontem. Não há muita imagem inédita do próprio Francis — a maior parte dos vídeos em que ele aparece foi recuperada do especial da GNT de 10 anos da morte, de alguns comentários pra Globo ou do Roda Viva. Quem é fã provavelmente já viu bastante coisa.

Mas o filme vale pelos depoimentos, pelas histórias dos amigos. Fiquei com a impressão que o Mainardi quase soltou uma lágrima quando lembrou de uma ida dos dois à Missa do Galo. O CTC é quase insignificante na história (o Mainardi diz tudo o que precisaria ser dito sobre ele).

Eu, que só fui conhecer o Francis depois que ele já havia morrido, fiquei com saudades.

E a vontade de ver só aumenta…

Espero que “Caro Francis” seja melhor do que os textos que se arriscam a avaliar o jornalista

Sim, voltei, aproveitando uma breve interrupção entre uma tarefa e outra para o OrdemLivre, o programa brasileiro do Cato Institute em parceria com a Atlas Economic Research Foundation, do qual me tornei Gerente de Relações Institucionais no início deste mês.

Só hoje fui ler esse texto sobre o documentário Caro Francis, de Nelson Hoineff:

Quem tinha medo de Paulo Francis?

Não é preciso ser um admirador de Paulo Francis para gostar de Caro Francis, o documentário de Nelson Hoineff sobre um de seus maiores amigos durante 19 anos. Eu mesmo rejeitava o elitismo que parecia atravessar a personalidade inteira do jornalista – da política à cultura, do humor à baixa estima que destilava pelas coisas brasileiras. Francis era republicano, antipopular, racista, sexista, talvez um tanto misantropo – ou seja, tudo o que pessoalmente abomino. No entanto, apreciei este perfil traçado com honestidade pelos seus próprios amigos e ex-colegas de trabalho.

Não há no filme a presença de qualquer desafeto explícito. Os depoimentos mais agudos contra Francis vêm do ex-ombudsman da Folha de São Paulo, Caio Túlio Costa, e do ex-presidente da Petrobras, Joel Rennó, com os quais ele teve conflitos graves e são duramente atacados por um correligionário de ideologia semelhante e língua igualmente solta como Diogo Mainardi.

Mas a veia polemista e meio clownesca de Francis aflora mesmo nas lembranças dos que o admiravam e com ele conviveram ativamente. Isso faz do doc um passeio delicioso pelo reino da opinião desabrida, muitas vezes irresponsável, do autor do Diário da Corte. O filme é quase um rap de frases feitas e citações jocosas do próprio Francis, mais as tentativas dos amigos de definir o seu caráter ciclotímico e o brilho grosso de sua retórica. A maior ironia, sem dúvida, é ver Paulo Maluf elogiar sua sinceridade.

As histórias se acumulam num raro insight pelos bastidores do alto jornalismo brasileiro. Como crítico de teatro, Francis foi tão acerbo que suscitou reações extremadas (o filme não menciona o soco de Adolfo Celi nem a cuspida de Paulo Autran por causa de um artigo agressivo contra Tonia Carrero). Foi demitido de um jornal de Pernambuco e saiu da Folha de São Paulo por pressões de leitores. Seus colegas de Pasquim, TV Globo, Manhattan Connection e outros veículos levantam episódios impagáveis, que provocam riso e perplexidade. (Agrego aqui uma observação do comentário de Nelson Hoineff: “o filme menciona sim o episódio da briga com Paulo Autran. Quatro pessoas referem-se a ele: Kito Junqueira, Carlos Nasser, Tonia Carrero e o próprio Francis, no Roda Viva”).

O melhor de tudo é que Hoineff dispôs de um material de arquivo preciso para ilustrar cada um desses momentos, mostrando muitas vezes a frase ou a palavra exata que detonou cada episódio. Uma série de take-outs complementam a construção de um personagem realmente singular na televisão brasileira.

Não faltam observações sobre o relativo fracasso de Francis na literatura, nem a respeito de suas idiossincrasias pessoais. O consumo de álcool, drogas, Wagner e Doris Day também é passado em revista, assim como sua paixão pelos gatos. O clímax melodramático do filme, aliás, não é a morte do personagem, em meio ao stress de um processo movido pela Petrobras e a displicência de seu médico pessoal, mas a leitura de uma carta de sua mulher, Sonia Nolasco, a Nelson, relatando a doença da gata Alzira.

Pode não ter sido essa a intenção, mas para mim soou como mais uma fina ironia num filme que tenta entender em profundidade o temperamento de seu personagem. E sabe se utilizar do viés individual para descortinar as relações intensas, mas espinhosas, entre grandes egos do meio jornalístico.

Caro Francis, integralmente patrocinado pela Esso, ganhou a tela pela primeira vez na semana passada, por ocasião da entrega do Prêmio Esso de Jornalismo. Em versão ligeiramente ampliada, vai percorrer festivais e em breve levar a virulência de Paulo Francis também às salas de cinema.

Não vi o filme, que só foi exibido para um grupo de privilegiados no Rio no fim do ano passado. Ainda será exibido nos cinemas e lançado em DVD.

Sobre o texto, algumas considerações:

1- Não aguento mais ler títulos que parafraseam o nome da peça de Edward Albee, Quem tem medo de Virginia Woolf. Eu mesmo já usei esse recurso algumas vezes e cansei;

2- O autor do texto diz que rejeitava “o elitismo que parecia atravessar a personalidade inteira do jornalista”. Não entendi o uso do “parecia”. Francis era elitista. Ponto.

3- Afirmar que Francis “era republicano, antipopular, racista, sexista, talvez um tanto misantropo” é enfileirar qualificações sem pensar no que elas significam ou, considerando que o autor tenha pensado e conheça seus signficados, desconhecer completamente o que Francis escreveu e disse. As simpatias de Francis por representantes do Partido Republicano nunca o converteram em Republicano. Mas posso ter entendido mal e o autor só quis dizer que Francis era a favor do modelo republicano contra o monárquico. Nisso, ele está certo, embora Francis adorasse ter sido um aristocrático membro de uma monarquia.

Antipopular, Francis não era. Ela era contra o kitsch. Nas suas colunas e comentários para o Manhattan Connection as referências positivas à cultura popular são abundantes, da música americana às marchinhas de carnaval brasileiras. Acusar Francis de ser antipopular é tomar o popular por kitsch e alçar o kitsch ao status de arte.

Racista? Como poderia um racista amar a música americana feita pelos negros, o jazz, e louvar um escritor, também negro, como James Baldwin? E não me venham falar em racismo selecionado que será impossível iniciar um diálogo. Se ele era preconceituoso? Of course, my dear. Quem não é?

Sexista? Uma explicação sobre que diabos isso significa ajudaria bastante.

Um tanto misantropo. Hmm. Deixa lá ver: o Houaiss define a misantropia como ódio pela humanidade, falta de sociabilidade, melancolia, depressão, tristeza. Aponta como sinônimos casmurrice, taciturnidade. Francis não odiava, mas era indiferente à maior parte da humanidade. Era sociável. Triste não era. Depressivo, desconheço. Mas parece que nutria certa melancolia. Qualificá-lo como um tanto misantropo não está errado, mas trata-se de uma qualificação sem rigor.

Não há no filme a presença de qualquer desafeto explícito. Os depoimentos mais agudos contra Francis vêm do ex-ombudsman da Folha de São Paulo, Caio Túlio Costa, e do ex-presidente da Petrobras, Joel Rennó, com os quais ele teve conflitos graves e são duramente atacados por um correligionário de ideologia semelhante e língua igualmente solta como Diogo Mainardi.

Apontar a falta de críticos sem informar as razões das ausências é levantar uma suspeita contra o diretor. Bastava perguntar ao Hoineff. Há algumas explicações possíveis, duas das quais são: a) não quiseram falar sobre Francis; b) o diretor não quis entrevistá-los. Não vejo problemas em nenhuma das duas.

Identificar Diogo Mainardi como correligionário de ideologia de Francis é estúpido. Diogo Mainardi não defende qualquer ideologia, como Francis um dia defendeu. É um livre-atirador sem amarras ideológicas. Pode-se compará-los em termos de disposição para o confronto e para ir contra o consenso emburrecedor. Nem no aspecto estilístico são comparáveis. Diogo é da escola de Ivan Lessa não de Paulo Francis. Compare e verifiquem.

Espero mesmo que o filme trate o Francis melhor (no sentido de análise, não de louvação) do que os colunistas que se arriscam a escrever sobre aquele que foi um dos mais estimulantes jornalistas brasileiros.

Artigo no Eu&Fim de Semana do Valor Econômico

Saiu texto meu na edição de hoje do caderno Eu&Fim de Semana do Valor Econômico. O título é Com McCain ou Obama no poder, antiamericanismo deve diminuir. Infelizmente, o site é exclusivo para assinantes. Quem quiser ler o texto onde faço a relação entre eleições americanas e o sentimento antiamericano terá de conseguir o jornal na banca.

Garschagen versus Gênios

É um negócio extraordinário: à medida em que assisto o aparecimento de quantidades abissais de gênios, todos dotados de um senso peculiar de marketing pessoal, sinto-me cada vez mais um estúpido, uma besta quadrada. A minha ignorância, antes mensurada segundo aquilo que tenciono conhecer e desconheço, agora é exposta em praça pública pela genialidade de tantos. Diariamente, além da vontade de morrer em função do calor africano que Lisboa assimila como seu, sinto um impulso incontrolável de gritar ruas afora: “sou um idiota, uma besta, um estúpido!”

Trecho do livro O País dos Petralhas

Um trecho do livro também publicado no site da Veja:

A CACHAÇA DOS INTELECTUAIS E A IMPRENSA

A FÁBULA PETISTA E O DEMÔNIO TOTALITÁRIO*

“Tudo o que é bom para o PT é ruim para o Brasil.” Não é a primeira vez que escrevo sobre a frase que mais me rendeu protestos. Até alguns “conservadores” fizeram um muxoxo: “Cheira a preconceito.” E daí? O preconceito também é uma realidade discursiva definida por marés influentes de opinião. Não ter alguns corresponde a reforçar outros. Vejam dom Tomás Balduíno, que trocou a Teologia pela Escatologia da Libertação. Ele acredita que lugar de auto-intitulados sem-terra é quebrando o Parlamento ou tungando propriedade alheia. Opor-se a tal prática seria preconceito.

Um “progressista” tem de estar afinado com os deserdados profissionais dos padres, das ONGs e do Chico Buarque. Os “conservadores” preferem ficar no armário, praticando uma ideologia que não ousa dizer seu nome. Ou vão para a fogueira. A esquerda leva vantagem na guerra de valores. Jornalistas acham normal ter como fonte um ladrão – sobretudo se ele roubar em nome da causa -, mas fogem de um “reacionário” ou “direitista”. Supostas maiorias teriam mais direito a preconceitos do que um indivíduo. Com efeito, não existiria totalitarismo sem as massas e suas rebeliões – aprendi com Ortega y Gasset, antes ainda de começar a fazer a barba.

Sou tentado a defender o direito que todos temos de ter alguns “preconceitos”. Um sujeito cem por cento tolerante é desprovido de moral pessoal e imprestável para uma ética coletiva. É preciso dizer em certos casos: “Isso não!” Um homem sem preconceitos é um empirista empedernido, uma besta, um monstro amoral.

Há um quarto de século toleramos a ladainha petista sobre “um outro mundo possível”. Até há pouco, os petistas nos vendiam um certo “socialismo democrático”, binômio antitético que a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) ressuscitou em entrevista ao programa Roda Viva. A propósito: ela afirmou lá que apenas 17% das terras agriculturáveis do país são cultivadas. Seria mentira ainda que Marina Silva derrubasse a floresta amazônica e secasse o Pantanal para plantar soja. Não foi contestada em sua logorréia narcotizante. Uma bobagem choca; uma penca delas paralisa os sentidos, especialmente se vêm embaladas naquela cascata de disparates reiterados por sinonímias vertiginosas.

Nunca houve socialismo democrático ou marxismo cristão. Quem acata essas bobagens ou está comprometido com a causa ou procura ser simpático com os “progressistas”. Não ambiciono a ração de boa vontade de adversários. O socialismo matou quase 200 milhões para criar o “novo homem”, e sua primeira vítima foi a liberdade. Tentam pôr no meu colo os mortos das ditaduras de direita. Dispenso-os. Façam como eu: joguem todas elas no lixo. Esquerdistas, no entanto, não reconhecem em Fidel Castro um facínora e têm num homicida compulsivo como Che Guevara um herói, ainda a render filmes e rococós sentimentais. Entronizam um bufão como Hugo Chávez no posto de futuro mártir das causas populares. “Mártir”? Eu e minhas esperanças…

Que bom se a esquerda light e a socialdemocracia estivessem certas, e tudo isso cheirasse à naftalina da guerra fria, sepultada sob os escombros do Muro. Mas estão erradas, e a metáfora é óbvia demais. No Brasil, as seduções do demônio totalitário estão ativas e plasmadas no PT, que segue o figurino do Moderno Príncipe gramsciano. É confortável para os covardes a suposição de que a lenda lulo-petista se esgota no clepto-stalinismo dos quarenta quadrilheiros. É uma forma de colaboracionismo.

Essa lenda contamina as instituições e busca mudar a natureza da democracia. Leiam o texto a seguir:

O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar seu poder ou para opor-se a ele. O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume.

É como Gramsci queria o “partido” que faria a transição para o socialismo aproveitando-se das fragilidades da democracia. Leninismo e fascismo em pacote único. Ele já havia aposentado as ilusões armadas na Europa, mas não a tara totalitária. O PT também arquivou as ambições socialistas – embora financie tropas de assalto à democracia -, mas não a vocação para submeter a sociedade a um ente de razão partidário.

Os sem-preconceito e liberais de miolo mole vêem o partido de Lula seguindo a bula dos mercados e o supõem convertido. Será? O que antes era “criminoso” passou agora a ser “virtuoso” na medida em que “tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe”. Ele é capaz de “subverter todo o sistema de valores intelectuais e morais”. E até os ju ros reais mais altos do mundo se tornam variantes de um “imperativo categórico”.

A trama criminosa é só entrecho de narrativa mais ambiciosa. Nem a eventual derrota de Lula poria fim a essa história. Se vitorioso, o PT tentará perpetuar-se no poder mudando as regras do jogo: o caminho é tornar irrelevantes as eleições como meio de alternância de poder. E pode fazê-lo fingindo obediência ao rito democrático. É de sua natureza. Se derrotado, a “Al-Qaeda” – rede presente nos três Poderes, sindicatos, fundos de pensão, igrejas, estatais, imprensa, movimentos sociais e ONGs – tentará emparedar o próximo governo por meio do confronto e da chantagem. O que fazer? Dizer não ao demônio totalitário. Outras divergências são secundárias.

Tudo o que é ruim para o PT é bom para o Brasil.

* Artigo publicado em O Estado de S. Paulo em 19 de junho de 2006

Diogo Mainardi escreve sobre O País dos Petralhas

A Veja publicou no site o texto de Diogo Mainardi sobre o livro O País dos Petralhas:

Livros
Alto lá, em nome da lei

Em O País dos Petralhas, Reinaldo Azevedo, o melhor blogueiro do país, conta sua luta diária com a turma da situação

Um petralha indignado pergunta a Reinaldo Azevedo como ele consegue dormir em paz. Resposta:

– Com Stilnox.

E conclui:

– Por isso defendo os laboratórios, as patentes e a propriedade intelectual.

Esse é o resumo perfeito de O País dos Petralhas (Record; 337 páginas; 38 reais). O livro reúne os melhores textos de Reinaldo Azevedo sobre o petralhismo, publicados em seu blog em VEJA.com desde junho de 2006 e, antes disso, em sua coluna em O Globo. O que significa “petralha”? Um glossário, no fim do livro, esclarece: “Neologismo criado da fusão das palavras ‘petista’ e ‘metralha’ – dos Irmãos Metralha, sempre de olho na caixa-forte do Tio Patinhas. Um petralha defende o roubo social”.

O roubo social é uma disciplina que, praticada pelos operadores do petralhismo entranhados no partido e no setor público, se baseia no – como dizer? – roubo. Pode ser o roubo para eleger um candidato, ou o roubo para enlamear um opositor, ou o roubo para encher as burras de dinheiro. Em geral, tudo isso junto. Para que um petralha possa roubar sem constrangimentos, ele precisa contar com a cumplicidade de outros petralhas, enfronhados na imprensa, na internet, nas salas de aula, nos gabinetes, nos tribunais, nas delegacias, nas rodas de samba. O papel deles é fazer a defesa teó-rica do banditismo, acobertando todos os crimes cometidos em nome do partido. Esta é a gangue que Reinaldo Azevedo combate: a gangue que violenta as idéias, que corrompe os conceitos, que brutaliza a verdade. Se o Brasil do PT é Patópolis, Reinaldo Azevedo só pode ser o nosso Mickey.

Ele, o camundongo sabido de Dois Córregos, é o melhor blogueiro do país. O termo blogueiro, para quem está acostumado só com a imprensa escrita, pode soar ligeiramente depreciativo. Corrigindo: Reinaldo Azevedo é o melhor articulista do país. É o único capaz de passar com desenvoltura de Robert Musil à egüinha Pocotó, de G.K. Chesterton a Marilena Chaui, de Ortega y Gasset a Marco Aurélio Garcia. Com 900 000 páginas lidas todos os meses, seu blog é também um dos mais populares da internet. O resultado é espantoso: se, num dia, ele indica um filme no Youtube, como aquele sobre a pancadaria da PF em Raposa Serra do Sol, no dia seguinte o filme já contabiliza 18 000 espectadores.

LADRÃO É LADRÃO
Irmãos Metralha, os inspiradores do título
Para nossa sorte (eu, Diogo, sou uma das centenas de milhares de macacas-de-auditório de Reinaldo Azevedo, e entro no blog umas cinco vezes por dia, como a média de seus leitores), o melhor articulista do país é igualmente o mais compulsivo. Reinaldo Azevedo trabalha sem parar. Até a última quarta-feira, seu blog já publicara 14 943 artigos. Dois anos atrás, os médicos abriram uma tampa em seu cocuruto e arrancaram lá de dentro dois hemangiomas ósseos do tamanho de bolas de gude. Três dias depois, no quarto do hospital, ele já estava na frente do computador, fazendo chacota de seu aspecto de golfinho Flipper e de seus tumores benignos – o único produto benigno saído de sua cachola.

Reinaldo Azevedo costuma escrever seu primeiro artigo às 3 da tarde, quando acorda, e o último às 5 e meia da madrugada, quando toma seu comprimido de Stilnox e vai dormir. Ao petralha indignado: Reinaldo Azevedo nunca dorme em paz, ele dorme em guerra. Em guerra contra os petralhas indignados, contra os esquerdopatas, contra os tocadores de tuba, contra o Apedeuta (consulte o glossário de O País dos Petralhas). Isso lhe rende, todos os dias, centenas de mensagens ofensivas. Chamam-no de canceroso, de nazista, de Opus Dei. A primeira triagem dos comentários dos leitores, em que se eliminam todos os insultos, é feita por sua mulher. Ela se chama Lilian, mas os leitores do blog a conhecem como Dona Reinalda. Há também as Reinaldinhas, suas duas filhas, Maria Clara, de 13 anos, e Maria Luíza, de 11.

Apesar de estar sempre em guerra, Reinaldo Azevedo se considera “bastante convencional”. O que isso quer dizer? Quer dizer que ele chama “crime de crime, ladrão de ladrão, bandido de bandido”. E acrescenta: “No auge de minha esquisitice, defendo o cumprimento da lei”. Essa é uma idéia repetida incessantemente ao longo do livro. Para ele, “a impunidade destrói qualquer chance de futuro. Se a lei é cumprida, entra-se numa espiral positiva de direitos e deveres”. Por isso ele se bate pelas leis e pelas regras da democracia, da gramática, da lógica, dos bons costumes e da patente dos remédios. No país dos petralhas, o assombroso é ficar do lado da lei.

No país dos petralhas temos Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo anuncia lançamento do livro O País dos Petralhas:

VEJA 1 – Nas livrarias

O País do Petralhas, deste escrevinhador, chegou ontem às livrarias. É o meu modo de comemorar os 64% de popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Quando comecei a reunir os textos, acho que estava em 55%. Sou mesmo incorrigível. Pareço aquelas moças de vida fácil do Rick’s Bar, de Casablanca. O ambiente pode estar um pouco inóspito à volta, mas levanto e canto A Marselhesa… Os petralhas, aqueles do título, já descobriram: “Vai encalhar! Lula está com tudo”. Mal sabem que espero vender 14,4 milhões de exemplares para os que o consideram ruim/péssimo…

Vender? Se vocês comprarem, vou achar muito bom. E conto já uma grande honra: Diogo Mainardi assina a resenha do livro na VEJA desta semana.

O País dos Petralhas, de Reinaldo Azevedo, hoje nas livrarias!

A editora Record informa que o livro O País dos Petralhas, do Reinaldo Azevedo, estaria hoje disponível para venda nas livrarias. No site da editora já é possível comprá-lo.

É o segundo livro do Reinaldo. Sobre o primeiro, o ótimo Contra o consenso (editora Barracuda), escrevi para a Gazeta Mercantil o texto Um bico no consenso. Recomendo entusiasticamente.

Como estou em Lisboa não há chance de comprar O País dos Petralhas pelo Correio. O frete custa um absurdo.

Enfim, leiam e me digam o que acharam.

Invasão da Geórgia na The Economist

Acabo de ler a matéria de capa da The Economist desta semana. Sobre a invasão da Geórgia pela Rússia, que, segundo a revista, ganhou uma batalha numa espécie de renascimento da velha guerra contra os países ocidentais.

The war in Georgia

Russia resurgent

The war in Georgia is a victory for Russia. The West’s options are limited, but it needs to pursue them firmly

ON THE night of August 7th, Mikheil Saakashvili, Georgia’s president, embarked on an ill-judged assault on South Ossetia, one of his country’s two breakaway enclaves. Russian tanks, troops and aircraft poured across the border. Just five days later, after pulverising the Georgian armed forces, Russia announced that it was ending its operations.

This brutal and efficient move (see article) was a victory for Vladimir Putin, Russia’s president-turned-prime-minister, not just over Georgia but also over the West, which has been trying to prise away countries on Russia’s western borders and turn them democratic, market-oriented and friendly. Now that Russia has shown what can happen to those that distance themselves from it, doing so will be harder in future.

CONTINUA

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