
“Mas Churchill escrevia bem?” Lembro de há alguns anos ter feito essa pergunta ao meu tio Don Garschagen. Eu carregava uma admiração profunda pelo estadista empolgado e estimulante, que não desgrudava do charuto e do chapéu nem quando foi obrigado a sair de casa numa cama para ser levado ao hospital.
De uma admiração puramente simbólica, seduzido pela figura política emblemática, passei a reverenciar o intelectual e escritor que sustentava o homem público. Churchill era da linhagem de homens virtuosos que Cícero celebrava como modelo em Da República: “a virtude afirma-se por completo na prática, e seu melhor uso consiste em governar a República e converter em obras as palavras que se ouvem nas escolas”. É preciso entender “as palavras que se ouvem nas escolas” como estudo. Porque Churchill limitou-se a odiar a escola e ser um aluno medíocre.
Era um homem dado a arroubos. Sua disposição intempestiva fazia-o tomar decisões equivocadas, para usar um eufemismo, como a batalha, convertida em tragédia, dos Dardanelos. Bem antes, Churchill já enfrentara revezes pela sua ambição desregrada e sua necessidade de reconhecimento, em boa parte explicada pela ausência dos pais naquele início da vida em que se dá a formação do caráter e o equilíbrio das carências afetivas. Foi, no entanto, o primeiro político da Inglaterra a notar o perigo que Hitler e o nazismo representavam. E sua atuação na Segunda Guerra foi fundamental para a vitória dos Aliados.
Minha porta de entrada para o universo literário de Winston Spencer Churchill foi o livro Grandes homens do meu tempo. Os textos sobre Hitler, Charles Chaplin, Bernard Shaw são os que saltam logo à memória pelo estilo, observação arguta, análise acurada pontuando os aspectos morais e públicos de homens fundamentais para a história do Ocidente.
Depois passei para as biografias. Gosto especialmente das escritas por François Bédarida e Roy Jenkins, sem daí minimizar as virtudes do trabalho cuidadoso do biógrafo oficial, Martin Gilbert. Avancei para as obras próprias: Memórias da Segunda Guerra Mundial (volumes 1 e 2), Os meus primeiros anos, History of the English-speaking people, Never Give In!: The Best of Winston Churchill’s Speeches, Liberalism and the Social Problem. Há duas obras que estão na minha lista de leituras: Lord Randolph Churchill e Marlborough : His Life and Times. Foram pelos atributos superiores de sua obra intelectual e pessoal que ganhou o Nobel em 1953.
Além dos livros próprios e biografias também há uma infinidade de obras sobre Churchill. Aqui em Portugal comprei Churchill and Hitler: in victory and defeat, de John Strawson, e ganhei do amigo Maurício Casarin Churchill e os charutos, de Stepen McGinty.
Também há os filmes. Dois deles eu gosto e recomendo vivamente: The gathering storm e Young Winston.
E aqui vai uma lista de alguns textos de e sobre Churchill:
- Breve perfil;
- O discurso no jantar de entrega do Nobel, lido por Lady Churchill, que representava o honenageado ausente;
- Bibliografia;
- The Life of Winston Churchill: é um perfil didático de 16 páginas produzido pelo The Churchill Centre e dirigido aos jovens;
- Churchill’s Greatness, de Leo Strauss;
- We Must Never Deny Our Gratitude, de C. P Snow;
- Churchill For Today, de Sir Martin Gilbert;
Churchill não é autor exclusivo dos que se interessam por política. É para todos que celebram uma mente viçosa, marcante, original. Churchill era, por vocação, interessado na natureza humana e nos desdobramentos que o indivíduo impunha à vida de forma a torná-la grandiosa ou medíocre.
O que Don me respondeu sobre Churchill? “Ele escrevia MUITO bem”.


